
Eletrificação e Iluminação Pública
Iluminação pública: como a NBR 5101:2024 muda o projeto de ruas, loteamentos e condomínios
Iluminação pública pela NBR 5101:2024: classes de via, LED, temperatura de cor, poluição luminosa, loteamentos, condomínios, telegestão e responsabilidade do município.
Em resumo
A iluminação pública vai muito além de instalar postes com luminárias. Ela define a segurança de motoristas e pedestres, a sensação de segurança nos bairros, o consumo de energia do município e o impacto da luz no céu noturno. Desde março de 2024, o projeto de iluminação viária no Brasil segue a nova edição da ABNT NBR 5101, que ampliou o alcance da norma e mudou critérios importantes de projeto.
Nesta página
- Quem é responsável pela iluminação pública
- O que mudou com a NBR 5101:2024
- Classes de via e critérios de projeto
- Como funciona a classificação por ponderação
- Calçadas, ciclovias e travessias de pedestres
- LED, temperatura de cor e poluição luminosa
- Temperatura de cor: limites por tipo de via e período de transição
- Classificação BUG e controle da luz intrusa
- Fator de manutenção, malha de cálculo e arquivos fotométricos
- Eficiência energética: densidade de potência e de energia
- Loteamentos e condomínios: projeto e entrega
- Telegestão e manutenção
- Como começar um projeto de modernização
- Medição em campo e registro do resultado
- Passo a passo de um projeto conforme a NBR 5101:2024
- Perguntas frequentes sobre a NBR 5101:2024
- Perguntas relacionadas

Quem é responsável pela iluminação pública
O serviço de iluminação pública é de competência do município. Os ativos que antes eram das distribuidoras foram transferidos às prefeituras por determinação da ANEEL, e hoje a relação entre municípios e distribuidoras é regulada pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021. O custeio normalmente vem da COSIP, a contribuição municipal cobrada na conta de energia. Na prática, isso significa que a prefeitura responde pelo projeto, pela expansão, pela manutenção e pela modernização do parque, diretamente ou por meio de contratos e parcerias.
O que mudou com a NBR 5101:2024
A edição de 2024 da ABNT NBR 5101 substituiu a de 2018 e passou a tratar da iluminação de vias públicas e também de vias privadas, como as de loteamentos, condomínios e estacionamentos. A norma revisou a forma de classificar as vias, que determina os requisitos de iluminação de cada trecho, e trouxe critérios sobre temperatura de cor e poluição luminosa. Para quem projeta ou aprova loteamentos, isso significa que a iluminação das ruas internas deixou de ser um detalhe e passou a ter uma referência técnica clara.
Classes de via e critérios de projeto
Cada via é enquadrada em uma classe conforme o tipo de tráfego, a velocidade, o volume de veículos e de pedestres e as características do entorno. A classe define os níveis de luminância ou iluminância e a uniformidade exigidos. Uma avenida de tráfego intenso não pode ser projetada com os mesmos critérios de uma rua residencial, e passeios, ciclovias e travessias de pedestres têm necessidades próprias. O projeto luminotécnico usa os arquivos fotométricos das luminárias para definir altura de montagem, espaçamento entre postes, avanço do braço e inclinação, comprovando por cálculo que a classe da via foi atendida.
Como funciona a classificação por ponderação
Na edição de 2024, a classe de iluminação não é escolhida por semelhança com outra via, e sim por um procedimento. Cada parâmetro da via recebe um valor de ponderação, e a soma desses valores indica a classe. Entram nessa conta, entre outros, a velocidade, o volume e a composição do tráfego, a complexidade do trajeto e a luminosidade do entorno. A norma traz classes para vias de tráfego motorizado, para áreas de conflito, como cruzamentos e rotatórias, e para vias de pedestres.
Dois efeitos práticos merecem atenção. O primeiro é que a pista e a calçada de uma mesma rua podem cair em classes diferentes e precisam ser verificadas separadamente. O segundo é que a classe escolhida "no olho", sem a ponderação, costuma superdimensionar vias locais e subdimensionar áreas de conflito. Guardar a planilha de ponderação junto com o projeto é o que permite justificar a classe adotada em uma análise ou em uma reclamação futura.
Luminância ou iluminância: qual grandeza vale em cada caso
Para vias de tráfego motorizado, o critério costuma se basear na luminância, que representa o brilho do pavimento visto pelo motorista e depende também das características da superfície. Para calçadas, praças, ciclovias e áreas de conflito, o critério costuma ser a iluminância, que mede a luz que chega a uma superfície. A classe define qual grandeza é usada, os valores mínimos e as exigências de uniformidade. Confundir as duas grandezas, ou usar valores médios sem verificar a uniformidade, é uma das formas mais comuns de um projeto parecer correto no papel e deixar trechos escuros entre postes.
Calçadas, ciclovias e travessias de pedestres
Um projeto pode atender perfeitamente a pista e deixar a calçada abaixo do mínimo da classe de pedestres, principalmente em ruas largas, com arborização densa ou com postes posicionados de um só lado. A NBR 5101 trata calçadas e ciclovias como áreas com exigências próprias, e o cálculo precisa incluí-las.
As travessias de pedestres têm critérios específicos, inclusive quanto à temperatura de cor. O objetivo é que o motorista enxergue a pessoa que atravessa, e não apenas o pavimento. Por isso, faixas em vias movimentadas costumam pedir iluminação dedicada, com luminária posicionada para iluminar o pedestre de frente para quem se aproxima.
LED, temperatura de cor e poluição luminosa
As luminárias LED substituíram rapidamente o vapor de sódio e o vapor metálico, com menor consumo e manutenção mais espaçada. Mas o LED trouxe novas decisões de projeto. Temperaturas de cor muito frias aumentam o ofuscamento e a emissão de luz azul no ambiente noturno; por isso, a escolha da temperatura de cor passou a ser um critério técnico, e não estético. Luminárias com distribuição correta e sem emissão para cima reduzem a luz desperdiçada no céu e a luz intrusa nas janelas das casas. As luminárias para iluminação pública viária também estão sujeitas a certificação compulsória do Inmetro, e o projeto deve especificar apenas modelos certificados.
Temperatura de cor: limites por tipo de via e período de transição
A limitação da temperatura de cor foi o ponto mais debatido na revisão da norma. A edição de 2024 passou a fixar limites por tipo de via, com valores mais quentes exigidos nas vias locais, onde o impacto sobre moradores e sobre o ambiente noturno é maior, e regra própria para as travessias. Contratos já existentes têm um período de adaptação. Os valores exatos devem ser consultados diretamente na norma.
Há uma dificuldade prática: o regulamento do Inmetro para luminárias de iluminação pública ainda não acompanha toda a faixa de temperatura de cor prevista na norma. Isso limita a oferta de produtos certificados, com arquivo fotométrico de laboratório, nos valores mais quentes. Antes de fechar a especificação, vale confirmar se existem modelos certificados que atendam ao mesmo tempo à classe da via e à temperatura de cor exigida.
Classificação BUG e controle da luz intrusa
A norma deu mais peso à poluição luminosa e passou a considerar a classificação BUG das luminárias, que descreve quanto da luz vai para trás (backlight), para cima (uplight) e na direção que causa ofuscamento (glare). Uma luminária com boa classificação nesses três aspectos concentra a luz onde ela é útil: no pavimento e na calçada. Em ruas residenciais, a componente traseira é a que mais gera reclamação, porque ilumina fachadas e janelas. Em áreas próximas a reservas ambientais ou observatórios, a componente para cima ganha importância.
Fator de manutenção, malha de cálculo e arquivos fotométricos
O cálculo luminotécnico só tem valor se as premissas forem realistas. O fator de manutenção representa a perda de fluxo luminoso ao longo do tempo, pela depreciação do LED e pelo acúmulo de sujeira na luminária. Um fator otimista faz o projeto passar no cálculo e falhar na medição alguns anos depois. A norma também define a malha de pontos de cálculo, e usar uma malha diferente pode mascarar trechos abaixo do mínimo.
Os arquivos fotométricos precisam ser de ensaio de laboratório e corresponder exatamente ao modelo, à potência e à óptica especificados. Trocar a luminária na compra por uma "equivalente" sem refazer o cálculo é uma das causas mais frequentes de resultado fora da norma.
Eficiência energética: densidade de potência e de energia
A edição de 2024 revisou os indicadores de eficiência, que relacionam a potência instalada e a energia consumida com a área iluminada. Eles permitem comparar soluções diferentes para a mesma via: duas propostas podem atender à classe, mas uma delas com consumo bem menor. Em licitações e contratos de longo prazo, esses indicadores ajudam a evitar projetos superdimensionados, que cumprem a norma com sobra de luz e de conta de energia.
Loteamentos e condomínios: projeto e entrega
Em loteamentos, a rede de distribuição e a iluminação pública fazem parte da infraestrutura exigida para aprovação do empreendimento. O projeto de iluminação precisa seguir a NBR 5101 e os padrões técnicos da distribuidora e da prefeitura que vai receber os ativos. Erros comuns são usar luminárias fora do padrão municipal, subdimensionar a iluminação em travessias e áreas de lazer e esquecer a medição para entrega. Em condomínios fechados, onde as vias são privadas, a nova edição da norma oferece um critério objetivo que antes faltava, o que ajuda tanto no projeto quanto na avaliação de reclamações de moradores.
No caso dos condomínios, as vias internas não entram na classe tarifária de iluminação pública, e a iluminação é custeada e mantida pelo próprio condomínio. Algumas distribuidoras também não permitem fixar luminárias de via particular nos postes da rede de distribuição, o que pode exigir postes próprios para a iluminação.
Telegestão e manutenção
A telegestão permite monitorar cada ponto de luz à distância, identificar falhas sem depender de reclamação da população, programar a redução de fluxo em horários de menor movimento e medir o consumo real. Ela muda a manutenção de corretiva para planejada e dá à prefeitura dados para fiscalizar contratos. Mesmo sem telegestão, um cadastro georreferenciado do parque, com tipo de luminária, potência e data de instalação, é a base para qualquer plano de manutenção e modernização.
Como começar um projeto de modernização
O primeiro passo é o diagnóstico: levantar os pontos existentes, as tecnologias instaladas, as classes das vias e o consumo atual. Com isso, é possível simular a nova solução, estimar a economia de energia e definir prioridades, como vias de maior tráfego, áreas com índice de acidentes ou regiões com pontos apagados. Um projeto bem documentado, com cálculo luminotécnico por classe de via e especificação de luminárias certificadas, é o que permite contratar a obra com segurança e medir o resultado depois.
Medição em campo e registro do resultado
Projeto aprovado não é o mesmo que via conforme. Depois da instalação, a medição em campo, feita com o procedimento previsto na norma, confirma se os níveis e a uniformidade calculados foram alcançados. O resultado deve ser registrado no as built, junto com a classe adotada, os modelos instalados e a programação de dimerização, se houver. Esse registro é o que dá base técnica para receber uma obra, responder a uma reclamação ou comprovar o desempenho exigido em contrato.
Passo a passo de um projeto conforme a NBR 5101:2024
- Levantar a via: largura, faixas, calçadas, arborização, tráfego, velocidade e entorno.
- Calcular a classe da pista e da calçada pelo procedimento de ponderação.
- Escolher luminárias certificadas, com arquivo fotométrico de laboratório e temperatura de cor compatível com a via.
- Simular com a malha de cálculo e um fator de manutenção realista.
- Definir dimerização e telegestão quando fizer sentido, sem ficar abaixo dos mínimos da classe.
- Compatibilizar com o padrão do município e da distribuidora.
- Medir em campo após a instalação e registrar o resultado.
Perguntas frequentes sobre a NBR 5101:2024
Qual é a versão vigente da NBR 5101?
A edição de 2024, publicada pela ABNT em março de 2024, que substituiu a de 2018.
A NBR 5101 vale para ruas de condomínio?
Sim. Desde 2024 ela trata também de vias privadas, como ruas internas de condomínios, loteamentos e estacionamentos.
Posso escolher a temperatura de cor que eu quiser?
Não. A norma limita a temperatura de cor por tipo de via, com valores mais quentes nas vias locais e regra própria para travessias.
Como sei a classe de iluminação de uma rua?
Pela soma dos valores de ponderação dos parâmetros da via, como velocidade, tráfego, complexidade e luminosidade do entorno, conforme o procedimento da norma.
Dimerizar a iluminação de madrugada descumpre a norma?
Não necessariamente. A redução é admitida desde que os níveis resultantes não fiquem abaixo dos mínimos da classe da via.
Normas citadas neste guia
Fontes oficiais
- Micro e minigeração distribuída e REN 1.000/2021 (ANEEL, gov.br) (REN ANEEL 1.000)
- Texto compilado da REN ANEEL nº 1.000/2021 (publicado pela distribuidora Cemig) (REN ANEEL 1.000)
Para aprofundar
- ABNT NBR 5101:2024 – Norma em vigor; e agora? (O Setor Elétrico) (ABNT NBR 5101)
- Atualização da NBR 5101: avanços e desafios (O Setor Elétrico) (ABNT NBR 5101)
Sua prefeitura, loteamento ou condomínio precisa de projeto de iluminação pública conforme a NBR 5101:2024?
A VBE Engenharia faz o projeto luminotécnico, a execução e a adequação aos padrões da distribuidora. Solicite um Diagnóstico Técnico.
Eng. Vinicius Esteves Brisolla de Barros
Engenheiro responsável técnico e diretor · CREA 5068941862
Revisado pela engenharia da VBE em . Conteúdo informativo: cada instalação exige análise e projeto por profissional habilitado.


