O que é entrada de energia?
Entrada de energia é a parte da instalação que recebe a energia da distribuidora, protege o circuito geral e abriga a medição de faturamento. Ela começa no ponto de conexão, que pela REN 1.000/2021 fica, como regra, no limite da via pública com o imóvel.
Do ponto de conexão para dentro, o padrão de entrada, as caixas, a proteção e, quando existir, a subestação são de responsabilidade do consumidor. A distribuidora instala e mantém o medidor e a rede até o ponto de conexão. Cada concessionária publica uma especificação técnica com os materiais, as distâncias e os arranjos aceitos.
Quando a ligação é em baixa tensão (grupo B)?
A ligação é em baixa tensão quando a carga instalada e a potência de geração instalada na unidade consumidora são iguais ou menores que 75 kW, conforme o art. 23 da REN 1.000/2021. Nesse caso o imóvel pertence ao grupo B, que reúne as unidades conectadas em tensão menor que 2,3 kV, e é ligado diretamente à rede secundária, sem transformador próprio.
O limite considera a carga instalada, ou seja, a soma das potências nominais dos equipamentos, e não a demanda, que é a potência média realmente solicitada em um intervalo. Na área da Enel SP, a rede secundária aérea opera em 127/220 V, e o atendimento pode ser monofásico, bifásico ou trifásico conforme a carga.
O padrão de entrada em baixa tensão reúne ramal de entrada, poste ou pontalete, caixa de medição, disjuntor geral e aterramento. Na maior parte dos casos a medição é direta: o medidor recebe a corrente da própria instalação. Em cargas maiores dentro da baixa tensão, a norma da Enel prevê medição indireta, com transformadores de corrente.
- Exceção 1: edificações com várias unidades e carga do uso coletivo acima de 75 kW podem ficar no grupo B, se mais de 50% das unidades forem do grupo B, o consumidor concordar e a distribuidora aprovar em estudo.
- Exceção 2: carga entre 50 kW e 75 kW pode ir para o grupo A quando houver equipamentos que prejudiquem a qualidade da rede, com justificativa em estudo da distribuidora.
- Exceção 3: em sistema subterrâneo, o limite em baixa tensão segue o padrão de atendimento da distribuidora.
O que é um posto de transformação simplificado?
Posto de transformação simplificado é uma subestação de entrada em que o transformador fica instalado em poste, ao tempo, dentro do imóvel, recebendo a energia em média tensão e entregando baixa tensão à instalação. Na especificação da Enel, esse arranjo aparece como subestação externa em poste.
Ele se aplica a unidades do grupo A com carga instalada acima de 75 kW e potência de transformação moderada, como comércios de médio porte, pequenas indústrias e edifícios com carga elevada. Ocupa menos área e exige menos equipamentos que uma cabine abrigada, mas tem limite de potência de transformador e exigências de recuo, ramal e aterramento.
A potência máxima admitida para o transformador em poste e a forma de medição são fixadas na especificação de tensão primária da Enel e devem ser conferidas na versão vigente no início do projeto.
O que é uma cabine primária ou subestação abrigada?
Cabine primária é a subestação de entrada instalada em recinto fechado, de alvenaria ou em conjunto blindado, que reúne a proteção geral em média tensão, a medição e um ou mais transformadores. Ela é usada quando a potência de transformação ultrapassa o limite do posto em poste ou quando o imóvel precisa de mais de um transformador.
A medição é indireta: transformadores de corrente (TC) e de potencial (TP) reduzem corrente e tensão a valores que o medidor de faturamento consegue registrar. A proteção geral fica a cargo de um disjuntor de média tensão comandado por relé, ajustado para ter seletividade com a proteção da rede da distribuidora.
O projeto segue a ABNT NBR 14039, que trata de instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV, e a especificação de tensão primária da concessionária. Com a unidade no grupo A, o consumidor passa a contratar demanda e assume a operação e a manutenção da subestação.
Baixa tensão, posto simplificado ou cabine primária: qual escolher?
A escolha começa pela carga instalada, que define o grupo tarifário, e continua pela potência de transformação necessária, que define o tipo de subestação. O estudo de demanda deve incluir cargas futuras, como ampliações, carregadores de veículos elétricos e climatização, para evitar refazer a entrada em poucos anos.
Fontes: ANEEL, REN nº 1.000/2021, art. 23; Enel, especificações GRI-EDBR-CNC-GRI-0017 e GRI-EDBR-CNC-GRI-0004. Limites de potência de cada arranjo variam por concessionária. | Critério | Baixa tensão | Posto simplificado | Cabine primária |
| Grupo (REN 1.000/2021) | B: carga instalada até 75 kW | A: carga instalada acima de 75 kW | A: carga instalada acima de 75 kW |
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| Tensão de fornecimento | Menor que 2,3 kV (127/220 V na rede aérea da Enel SP) | Média tensão | Média tensão |
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| Transformador | Da distribuidora, na rede | Próprio, instalado em poste | Próprio, em recinto abrigado ou conjunto blindado |
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| Medição | Direta na maioria dos casos | Conforme especificação da distribuidora | Indireta, com TC e TP |
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| Proteção geral | Disjuntor em baixa tensão | Definida na norma de tensão primária | Disjuntor de média tensão com relé |
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| Norma técnica principal | ABNT NBR 5410 e norma de BT da Enel | ABNT NBR 14039 e norma de MT da Enel | ABNT NBR 14039 e norma de MT da Enel |
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| Contrato | Consumo | Demanda e consumo | Demanda e consumo |
O que a REN 1.000/2021 da ANEEL define para a conexão?
A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 define os grupos de atendimento, a tensão de conexão e os prazos que a distribuidora deve cumprir. O grupo A reúne unidades conectadas em 2,3 kV ou mais; o grupo B, as conectadas abaixo de 2,3 kV. Unidades com carga ou geração instalada acima de 75 kW e demanda contratada de até 2.500 kW são atendidas em tensão de 2,3 kV a menos de 69 kV; acima de 2.500 kW, em 69 kV ou mais.
Quando a conexão exige obra na rede, a distribuidora informa no orçamento as condições, os custos e o prazo, incluindo a eventual participação financeira do consumidor. A rede até o ponto de conexão é da distribuidora; as instalações depois dele são do consumidor. O consumidor também pode pedir conexão em tensão diferente da prevista, o que depende de estudo de viabilidade e custos da distribuidora.
Fonte: ANEEL, REN nº 1.000/2021, arts. 64, 88 e 91. Os prazos de orçamento valem para conexões abaixo de 69 kV sem geração ou com microgeração; nos demais casos, o prazo de orçamento é de até 45 dias. Outras obras em rede abaixo de 69 kV têm prazo de até 365 dias. Ligação nova em baixa tensão, sem geração e que exija apenas o ramal, dispensa orçamento. A contagem pode ser suspensa nos casos previstos na resolução. | Etapa | Tensão menor que 2,3 kV | Tensão de 2,3 kV a menos de 69 kV |
| Orçamento, sem obra na rede | até 15 dias | até 15 dias |
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| Orçamento, com obra na rede | até 30 dias | até 30 dias |
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| Vistoria e instalação da medição | até 5 dias úteis | até 10 dias úteis |
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| Obras de conexão | até 60 dias (rede aérea) | até 120 dias (ampliação de até 1 km) |
Quais normas da Enel SP e documentos o projeto exige?
Na Enel Distribuição São Paulo, a entrada em baixa tensão segue a especificação GRI-EDBR-CNC-GRI-0017, Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Secundária de Distribuição até 1 kV – Conexão Individual, e a GRI-EDBR-CNC-GRI-0018 para conexão coletiva, usada em edifícios com vários medidores. A média tensão segue a GRI-EDBR-CNC-GRI-0004, Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Primária de Distribuição até 34,5 kV.
Essas especificações são revisadas periodicamente e publicadas na página de normas técnicas da Enel SP, junto com comunicados técnicos que complementam o texto. Projeto protocolado com versão desatualizada da especificação pode ser reprovado.
O processo exige projeto elétrico assinado por profissional habilitado, com ART registrada no CREA-SP, conforme a Lei nº 6.496/1977. Na média tensão entram ainda memorial de cálculo, estudo de proteção, diagrama unifilar, planta de situação e, na entrega, relatórios de ensaio e o projeto as built.
Aumento de carga e erros comuns na entrada de energia
Aumento de carga é o pedido formal à distribuidora para elevar a potência disponibilizada ao imóvel, e deve ser aprovado antes de ligar a nova carga. Se a soma das cargas passar de 75 kW, o imóvel pode mudar do grupo B para o grupo A e precisar de subestação própria, o que muda projeto, contrato e prazo.
- Dimensionar pela demanda estimada e ignorar a carga instalada, que é o critério da REN 1.000/2021 para o grupo.
- Não prever cargas futuras, como carregadores veiculares, sistemas fotovoltaicos e climatização.
- Usar versão desatualizada da especificação da concessionária ou de seus comunicados técnicos.
- Instalar a caixa de medição ou o poste fora do recuo, da altura ou do acesso exigidos pela norma.
- Aterramento sem medição de resistência documentada.
- Comprar transformador ou equipamentos de média tensão antes da aprovação do projeto.