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Instalações Elétricas Industriais
5 min de leitura 14/07/2026

Classificação de Áreas: Como Proteger Sua Indústria do Risco de Explosão

Em indústrias que trabalham com gases, vapores, poeiras ou fibras inflamáveis e combustíveis, uma instalação elétrica convencional não é apenas insuficiente — pode ser, ela mesma, a fonte de ignição de uma explosão. É para prevenir exatamente esse cenário que existe o estudo de classificação de áreas, um dos processos técnicos mais criteriosos da engenharia elétrica industrial.

O que a classificação de áreas realmente faz

O estudo identifica e delimita as regiões de uma planta industrial onde existe, ou pode existir, atmosfera explosiva — analisando a probabilidade de formação dessas atmosferas a partir dos produtos manuseados, armazenados ou processados no local. O resultado é a definição formal de zonas de risco: Zonas 0, 1 ou 2 para atmosferas de gases e vapores inflamáveis, e Zonas 20, 21 ou 22 para atmosferas de poeiras combustíveis — cada uma indicando a frequência e a duração esperada da presença dessas substâncias no ambiente.

Por que essa classificação orienta todo o projeto elétrico

Uma vez definidas as zonas de risco, a classificação se torna a referência técnica para todo o restante do projeto: qual tipo de equipamento elétrico pode ser instalado em cada área, qual grau de proteção contra ignição é exigido, e quais métodos de proteção — como invólucros à prova de explosão ou segurança intrínseca — precisam ser adotados. Instalar equipamentos convencionais, não certificados para uso em área classificada, em uma dessas zonas é um dos erros mais graves — e mais evitáveis — que uma indústria pode cometer.

As normas que sustentam o processo

O arcabouço normativo envolve várias camadas: a NR-10, que exige o laudo de classificação de áreas como parte do Prontuário de Instalações Elétricas (item 10.2.4, alínea “f”); a NR-20, que trata especificamente da segurança no trabalho com inflamáveis e combustíveis; e a série de normas técnicas NBR IEC 60079, que detalha, parte por parte, desde os requisitos gerais de equipamentos até o projeto, seleção e montagem de instalações elétricas em atmosferas explosivas, passando pela inspeção, manutenção e reparo desses equipamentos ao longo do tempo. Desde a consolidação do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) pela NR-01, o estudo de classificação de áreas também passou a integrar formalmente o inventário de riscos da empresa — unificando o que antes podia ser tratado como documentos paralelos e desconectados.

O erro mais caro: superdimensionar ou subdimensionar as zonas

Um ponto pouco discutido, mas relevante do ponto de vista financeiro, é que erros de avaliação nesse estudo custam caro nos dois sentidos. Subdimensionar o risco — classificar como área segura um local que, na prática, tem potencial de atmosfera explosiva — expõe trabalhadores e patrimônio a um risco real de acidente grave. Superdimensionar — classificar como área de alto risco um espaço que não justifica esse nível de proteção — gera investimento desnecessário em equipamentos especiais, quando uma instalação convencional já atenderia com segurança. Os dois erros têm a mesma origem: um estudo técnico feito sem o rigor e a experiência necessários.

Quem precisa desse estudo

De forma geral, qualquer indústria que manuseie, processe ou armazene substâncias inflamáveis ou combustíveis — setores químico, petroquímico, farmacêutico, alimentício, de grãos, entre outros — precisa desse laudo como parte de sua conformidade regulatória. O documento final, assinado por profissional responsável com a respectiva ART, deve incluir memoriais de cálculo para as principais fontes de risco identificadas e plantas baixas indicando claramente as áreas classificadas.

O que o laudo entrega, além da conformidade legal

Mais do que uma exigência regulatória, um laudo de classificação de áreas bem elaborado funciona como referência técnica para toda a vida útil da instalação — orientando futuras expansões, manutenções e até a resposta a incidentes. É a base sobre a qual toda decisão futura de projeto elétrico naquela área vai se apoiar.

Equipamentos EX: o que muda na prática do dia a dia

Uma vez definida a classificação de áreas, todos os equipamentos elétricos instalados nas zonas de risco — desde motores até simples luminárias — precisam ser especificamente certificados para uso em atmosfera explosiva, com marcação EX que indica o tipo de proteção adotado (invólucro à prova de explosão, segurança intrínseca, entre outros métodos previstos na série NBR IEC 60079). Substituir um equipamento EX por um convencional durante uma manutenção — por indisponibilidade momentânea do modelo certificado, por exemplo — é um erro que pode passar despercebido no curto prazo, mas que reintroduz exatamente o risco que toda a classificação de áreas existe para eliminar.

Revisão periódica: áreas classificadas não são estáticas

Mudanças no processo produtivo — um novo produto manuseado, uma alteração na quantidade armazenada de determinada substância, uma mudança de leiaute na planta — podem alterar a classificação de áreas originalmente definida. Por isso, o estudo de classificação de áreas não deveria ser tratado como um documento definitivo, elaborado uma única vez na implantação da planta, mas como algo a ser revisado sempre que uma mudança relevante no processo ocorrer, garantindo que a especificação de equipamentos continue refletindo o risco real da operação atual.

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